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Em qual tribo você se encaixa?

Sabe, depois de interagir certo tempo num mesmo grupo de pessoas você começa a notar as particularidades de cada uma. O timbre da voz e o jeito de andar, os trejeitos e falhas de comportamento, até mesmo o guarda-roupa delas você começa a conhecer. Eu fiz isso na minha sala de aula na faculdade, e me surpreendo até hoje. Quero dizer, conheci mais uns que outros, mas acho que é essa a diferença que procurava. O nível de relacionamento das pessoas também influencia o resultado da pesquisa. Não vou defender nem acusar ninguém aqui, não é meu papel, muito menos citarei nome, afinal não cabe a mim ser juiz ou carrasco. Mas é interessante perceber a reação das pessoas dada alguma situação. Ou melhor ainda, ver certas falhas em estereótipos que muitos carregam como certos e imutáveis.

Tudo começa com a amizade forçada pela situação. Começo de ano, ninguém se conhece, todos querem ser muito educados e polidos pois a primeira impressão é a que fica. Ok, até aí tudo normal. Mas conforme as patotinhas (adoro essa palavra) começam a se formar um novo grupo de indivíduos é formado. Pois uma patotinha não é só uma roda de amigos, é uma união de forças e estilo próprio, onde todos pensam e agem do mesmo jeito. Por isso é tão difícil de se entrar em uma depois de formada, ou pior ainda é sair, pois uma intensa estigmatização é feita ao redor do ‘excluído’. Isso tudo fora a rivalidade entre uma e outra. Na faculdade ainda surge uma certa competitividade que torna o clima mais denso ainda.

Certo, os grupos. Vamos ver, temos os nerds, formados pelos cdf’s que não conversam em sala e só estudam e lêem. Esse é um dos grupos mais crucificados da sala, pois todos falam mal deles pelo simples fato de quererem estudar. Sempre com seus lápis em mãos, nunca perdem um trabalho ou dão chance de serem deixados pra trás. Ainda podemos citar o grupo das patricinhas, que hoje em dia cresce cada vez mais. Sem muitos detalhes esse é o grupo fashion da sala, que deixa os homens boquiabertos e algumas namoradas preocupadas. Mas não se preocupem meninas, por baixo de toda aquela massa corrida e aquele silicone existe uma cabeça tão pequena que não atrai ninguém. Aí vem a patota pop. Ai ai ai, essa dá trabalho. É o pessoal que ‘dita’ a moda visual e oral da turma toda. Sempre copiados, mas nunca igualados. Matam aula pra serem ‘legais’ e se divertem em meio às aulas. O elitismo é forte e puramente estético. Incrível como essa turma tende a desaparecer conforme o passar dos anos. Até minha oitava série era lei, até me sentia mal por não fazer parte do pessoal popular. Hoje em dia eu vejo que o pessoal que era pop não é melhor nem pior que eu, apenas igual. Na faculdade pensei que estaria longe disso, mas vejo em minha sala um grupo que acha que é pop, que pena né? Bom, continuando. Vamos à turma da frente e aos excluídos. O primeiro constituído, obviamente, pelos alunos da frente que ouvem o professor, não colam em provas, tiram notas legais e vivem suas vidas como qualquer outro mero mortal. E o segundo formado pelo resto da sala. É incrível como os não-participantes de nenhuma roda fixa de amigos tendem a formar sua própria roda. São geralmente a cultura alternativa da sala, um grupo à parte, mas nada especial. E por fim a turma do fundão. Essa é a que me chama a atenção na minha sala. Geralmente são os alunos que se revoltam de tal forma com as panelinhas que formam uma para avacalhar com as outras. Em outras palavras, são os esporrentos da turma. Porém é constituída por alunos que não fazem muita coisa e não prestam muita atenção nos estudos, o que não confere com a minha sala. Lá o pessoal é muito inteligente e esperto. Superaram o sistema há anos e fazem dele uma brincadeira. Não fazem trabalhos direito nem são alunos exemplares, mas têm uma cabeça anos à frente de seus colegas. Mentes abertas ao novo mundo, olhos abertos ao sistema e os corações abertos à novas emoções. É isso que vejo e isso que me impressiona. É a força de vontade e a inventividade, a franqueza e o companheirismo. Essa vontade de fazer sempre algo novo e de querer quebrar as regras do sistema abrindo a mente de todos, uma vontade quase inquebrável de mudar o mundo e as pessoas nele. Foi isso que e atraiu naquela sala. Por isso parti para o fundão e de lá não saí mais.

Teria muito mais a dizer sobre isso, mas não tenho mais palavras para dizer como tudo ocorreu. Posso falar mais adiante sobre pessoas, mas não seria muito nobre de minha parte. Estamos agora fazendo um zine sobre política, economia e mundo. Vamos ver o que vai sair. Vontade não falta. Bom, essa foi minha homenagem ao pessoal que tanto gosto e que ta lá do meu lado todo dia. Paulo, Rafael (tu é fundão de coração), Everson, Pablo, Douglas, um abração pra todos.

Agora vou deixar uma dica com o pessoal geral. Leiam Aldous Huxley e Isaac Asimov. Comecem com "Admirável Mundo Novo" e "Eu, Robô" e passem para "Moksha" e "O Homem Bicentenário". Há uma tênue linha que separa a imensidão entre esses dois. É ‘ôtimo’, como diz o Russi.

Abração a todos, desculpem-me pelo atraso em publicar algo e até a próxima.



- Postado por: Akira Miyazawa às 03h20
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